Salve o Marky Ramone, que é o Ringo do Punk Rock!
Punk rock é coisa séria... por quê é música! ORAS!
Quem acha que sucesso é coisa séria, está milhares de kilometros longe de saber o quê é música. Como disse uma amiga minha pra um cara reclamando de uma banda genial: "Você não reconheceria a genialidade, nem que ela te desse um soco na cara.".
Não existe essa lenda de que há uma música que pode ser feita de "qualquer jeito" que vai ficar bem feita. Vendo covers do Ramones mal feitos, dá pra ver que a música não funciona do mesmo jeito. Vendo o Raimundos fazendo cover do Ramones dá pra entender da onde veio a educação musical dos meninos de Brasília.
Brasileiro acha que músico é tudo vagabundo. Que não precisa se educar de alguma maneira e que músico bom, já nasce sabendo. Tá maluco? Todo músico precisa de horas de treinamento, primeiro em seu instrumento ou em alguma coisa que o desperte interesse através do gosto. Se o menino gosta de ficar horas ouvindo música, deixa ele... de alguma maneira ele está colocando música na memória e um dia isso tudo poderá fazer sentido.
Logo depois de horas de escutar música ou ficar horas "martelando" um instrumento, o aluno ou aluna vai passar pelas várias horas tentando imitar alguém tocar ou alguma música que ele goste. Se o ídolo for realmente um bom instrumentista ou intérprete, o "aluno" vai se tornar uma cópia "infiél" do mestre... afinal de contas, os ídolos não são Deus, pra fazer a sua imagem e semelhança. Se a peça ou música favorita for boa e tiver trechos de fácil imitação, o aprendiz vai se virar bem.
Nesta etapa é que é importante que alguém da família coloque o aprendiz de frente para um mestre... ou seja... tem que fazer alguma aula, ou ter algum material como guia. Caso contrário, quando o aluno achar que está impossível fazer a cópia do ídolo, ele vai largar dos estudos. Ou pode acontecer também do aluno achar que é um mestre e que está melhor do que o original... daí a gente vai ter esses artistazinhos de meia-tigela que temos por aí.
Joey Ramone era um ótimo vocalista, nunca pretendeu ser um Frank Sinatra, mas sempre teve o sonho de ser gravado pelo Phill Ramone. Conseguiu! Desde a infância ele escutava as produções realizadas pelo velho Phill. Enfim... nesse caso, o Joey e os outros Ramones, eram autodidatas determinados, e em algum ponto conseguiram o apoio de sí próprios para tentar fazer alguma coisa genuína.
Neste ponto é que entra um aspecto comum a todos os estudantes de música. Alguém ou o próprio discipulo vai ser questionar: "quando é que eu vou fazer o meu próprio material" mais uma vez é importante a figura do mestre. Agora é necessário que o mestre realmente seja um mestre hábil, pois deve reconhecer no aluno três coisas:
1) Qual a Característica Musical que o aluno apresenta?
Alunos podem ser intérpretes, ou seja, vão tocar músicas dos outros, enfatizar cada pedacinho da música afim de tornar aquilo que era muito bom em algo agora sublime.
Podem ser compositores, não ficarão mais pendurados em um instrumento tanto tempo, terão de fazer treinamentos mais mentais, solfejar, ler, escrever e ESCREVER COM ESMERO!!!
Basicamente dá pra gente dividir nestas duas grandes classes. Existem inúmeras funções musicais a serem desenvolvidas e que precisam destas duas habilidades. Mesmo para trabalhar em áreas técnicas é necessário que o aluno saiba se comportar desta maneira: Intérprete ou Compositor? Claro que o professor só deve fazer uma distinção desta, depois do aluno passar da sua fase de formação inicial, que deve durar até os 14 anos. Alunos que entram com mais do que esta idade, podem demorar de 1 a 3 anos para se encontrarem maturados o suficiente para que o mestre saiba sua característica musical.
2) Qual o ponto fraco do aluno? (onde ele tem mais dificuldade e tem preguiça de melhorar?)
Nenhuma formação é hermética. Sempre há falhas que devem ser cicatrizadas. Sem drama, o aluno pode não gostar de ler mais músicas dos outros. Pode ter preguiça de escrever com capricho. Pode não decorar informações básicas como o nome das notas. Pode ser teimoso em achar que o mestre é um charlatão, não aceitando os conselhos. Estes e outros defeitos devem sempre ser remediados.
Importante saber que, primordialmente, deve-se dedicar mais tempo do aluno naquilo que ele É BOM do que em correções de defeitos. A arte de ensinar consistirá em usar a habilidade natural do aluno para sanar as outras que ele não tem. Quando o aluno compreende que é possível utilizar de seus recursos intelectuais já adquiridos para compreender outros ensinamentos que ainda não lhe fazem sentido, fácil será guiar o aluno para um mundo maravilhoso.
Quer coisa melhor do que poder conversar com alguém que realmente entende as coisas que você fala? A pior coisa do mundo é entrar em uma sala de 20 alunos, falar meia hora sobre edição musical e todos fazerem cara de "ãn?". Numa destas turmas é que eu fui conhecer 3 dos muitos integrantes da Trapobanda. Quando os alunos compreendem o quê você pensa sobre a música, o mundo, a vida, o universo e tudo mais... é possível que a barreira entre mestre e aluno se rompa e que alunos e mestres se tornem comunidade.
3) Qual a vontade que o aluno diz ter? Ela condiz com a habilidade musical natural?
O aluno entra pela primeira vez na sala de aula e diz: "Quero tocar ACDC!". Fodeu-se. Se você falar "Ok, mestre." E não contar que está sendo sarcástico, pode ser o fim do seu aluno. Primeira coisa é deixar claro que... "Espere aí, garoto! Sente aqui e vamos conversar primeiro... você gosta de ACDC hein... que mais?".
O professor deve ir por dentro dos gostos do aluno, não pelos ídolos, mas pelos anceios de práticas... ele vai querer tocar um instrumento ou ele quer parecer tocar um instrumento? ele quer ser músico ou está ali porque a primeira aula é de graça? Perguntando coisas que o aluno quer responder, o mestre deve filtrar estas informações. Tem que perguntar do que ele gosta.
Neste aspecto, o professor tem de ser ardiloso como um psicólogo e frio como um peixe. Sim, um peixe!
Bem, por isso que no Brasil a gente só tem música meio estranha. As práticas sérias do ensino de música ainda são novas e vai demorar muito tempo até todo mundo ter um violão em casa. Que todos comprem um violão, nem que for pra enfeitar a sala... igual eram os pianos antigamente!
Um dia todo mundo vai saber o que fazer... é melhor ter um violão do que perder a carona.
Stay true.
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